HISTÓRICO DO ESCRITÓRIO
Alexandre Duarte Lindenmeyer
Advogado – OAB/RS 19.116
Sócio Fundador do Escritório
O surgimento deste escritório de advocacia se deu a partir do somatório de vivências pessoais decorrentes de ideias e práticas originárias do movimento estudantil, ou mesmo por pensamentos acumulados na época em que se discutia temas como a teologia da libertação, diretas já, assembleia nacional constituinte, anistia política, enfim, se trata de iniciativa que amadureceu em tempo de transição entre a inexistência de um Estado Democrático, onde à época sequer havia liberdade de pensamento, para um Estado no qual ainda estamos em fase de transformações na busca de uma sociedade mais justa e fraterna.
O início das atividades se deu no ano de 1986, inicialmente com Alexandre Duarte Lindenmeyer e Éder Dion de Paula Costa, advogados que ocupavam uma pequena sala, em imóvel localizado na rua Luiz Loréa, 262, na cidade do Rio Grande, aos quais, após pouco tempo, se somaram Eunice Lannes Lindenmeyer e Milton Xavier Gabino.
Não é demais dizer que o começo foi de extrema dificuldade ante ao fato de que não existiam clientes, bem como se trabalhava na busca da constituição de credibilidade em relação ao trabalho que nos propúnhamos a fazer. Por consequência os recursos financeiros eram poucos, sendo que muito embora todo o mobiliário tenha sido adquirido por empréstimo junto a parentes, havia gastos decorrentes da manutenção e locação do imóvel.
Desde tal época foi marcante a atuação na advocacia trabalhista de empregados, em especial, de trabalhadores vinculados às categorias do comércio, construção civil, turismo e hospitalidade. Com o tempo se agregaram as demandas originárias das categorias de servidores públicos, tanto federais como municipais, além de petroleiros, portuários, guindasteiros, controladores, trabalhadores vinculados à alimentação, bancários, enfim, inúmeras categorias profissionais, cuja assessoria jurídica teve ou tem a participação deste escritório. A opção feita era pela advocacia prestada aos menos favorecidos, os quais comumente se veem alijados do acesso a Justiça.
Com o passar do tempo, firmou-se a atuação na área previdenciária e cível. Acresça-se que a atuação vinculada à área cível teve maior presença por conta de assessoramento dos movimentos sociais, em especial aqueles vinculados aos “sem teto”.
Decorridos estes anos, além dos advogados que atuam junto ao escritório, muitos outros profissionais contribuíram para a formação do que é hoje a sociedade civil Lindenmeyer Advocacia e Associados S/C.
Hoje nosso escritório acumula um patrimônio representado não só por bens móveis, mas em especial pela representação de mais de 20 (vinte) mil clientes, espalhados não só pela região do Município do Rio Grande, como também de diversas localidades do país, fruto da credibilidade arduamente conquistada.
Ainda continuamos com a mesma opção, advocacia voltada aos trabalhadores, hoje contando com estrutura na qual atuam mais de 35 (trinta e cinco) pessoas, entre profissionais da área do direito e de apoio.
Nossa trajetória está em construção, sabendo que há muito para ser feito, muito para contribuir, fazendo a nossa parte para transformar o sonho em realidade, qual seja o de conquistarmos uma sociedade mais justa, fraterna, humana, com liberdade, justiça e paz social.
ORIGENS DO ESCRITÓRIO DE ADVOCACIA
Eder Dion de Paula Costa,
Advogado fundador do
escritório, hoje, professor
Mestre e Doutor em Direito
do Trabalho na FURG.
Relembrar o começo, marcar o tempo da história, sempre nos faz nostálgicos. É preciso registrar fatos que marcam a nossa passagem e que de certa forma representam um pouco do nosso esforço em contribuir com o meio em que vivemos. A advocacia, para nós que iniciamos com o Escritório, tem este papel, o de ser um instrumento que atua em favor de uma causa, a da justiça social. Surgiu de idealismos, ainda que juvenil, mas seguro das pretensões e do árduo caminho a percorrer. Lembro ainda das palavras do Alexandre de que todo o objetivo do escritório é o de trabalhar, prestar o serviço da advocacia, o resultado será tão somente consequência deste esforço.
A formação do escritório é algo que começa antes do seu começo, ou seja, temos uma idéia de escritório, uma idéia de exercer a advocacia. Durante o tempo em que fazia o curso de Direito não tinha bem definido os caminhos que percorreria após a formatura. Fundamental para mim foi o ano de 1984, quando bolsista do Serviço de Assistência Judiciária Gratuita da FURG, estive por 11 meses aprendendo a ser advogado, atendendo a parte da população que menos tem e que mais precisa. Ali percebi o quanto o Direito, a busca da Justiça pode representar na vida de uma pessoa. Aprendi muito com o Dr. Marte Giesta, funcionário da FURG e advogado que muito de si fez para o SAJ.
Bom, não devo falar só de mim, no entanto, um pouco desta história é para dizer as razões de eu ter aceitado o convite do Alexandre, para juntos darmos início a essa empreitada. O Lindenmeyer eu já conhecia da Faculdade de Direito, fomos colegas de turma, no entanto, não nos formamos juntos. O Alexandre como aluno padrão do curso, tendo iniciado em 1981, concluiu em 1984. Eu, embora iniciando o curso em 1980, devido a alguns percalços, como serviço militar e outros, somente concluí em 1985.
Eu e o Alexandre fizemos parte de vários grupos de estudos. O primeiro foi para a disciplina de Direito Penal I, com o prof. York Louzada. A convite do Ulisses fui até a casa do Alexandre, com quem até então tinha pouco contato. Lá estavam o Betinho (advogado já falecido), o Vicente (funcionário do Fórum de Rio Grande). Outras vezes estive na casa do Alexandre, e recordo das vezes que tocava violão. Ele me dizia: - Eder, quero te mostrar uma música que fiz: “A solidão, bate forte em meu coração, passa o tempo mas nada há de mudar, esse sistema, de poucos ganhando muito...”
Este Alexandre que já se preocupava com o despossuído, pessoa de grande motivação, foi o principal responsável pelo surgimento do escritório. Quando eu me dirigi, no verão de 1986, provavelmente em Janeiro, para o ginásio da AFM (associação dos funcionários municipais), já sabia das pretensões do Alexandre, visto que colegas de turma me avisaram que ele queria dividir um escritório de Advocacia com alguém. Os meus pensamentos aos sobressaltos me questionavam sobre a audácia de tal empreitada. Nós, que poucos recursos possuíamos, como começar tal atividade? Encontrei o Alexandre, naquela época já casado com a Eunice, funcionário do DATC, cedido para a AFM, administrando um ginásio com uma vassoura na mão, mas com um entusiasmo contagiante, me recebia de braços abertos para expor o seu grande projeto. Um escritório de advocacia começaria pequeno, atenderíamos a quem precisasse, o movimento social e sindical poderia contar com o nosso esforço. Trabalharíamos dia após dia e, não satisfeitos, continuaríamos a trabalhar, pois esta é a profissão do advogado, o de servir a quem precisa de justiça. No começo, como não tínhamos recursos, dividíamos o escritório com duas psicólogas, a Rosimeri e a Nádia, as quais também davam início às suas atividades.
Reunidos advogados e psicólogas, foi selado o acordo do grupo. Encontrado o local adequado, iniciamos em fevereiro de 1986, na rua Luiz Loréa, 262, em frente ao SAJ, o nosso escritório e consultório. Não sei por qual razão do destino ou de estratégia, que ficamos em frente ao SAJ. O comentário que circulava, era que tinha sido proposital, visto que a nossa intenção era o de fazer concorrência ao SAJ. Isto, depois nós comprovamos, visto que muitos dos clientes do SAJ, quando eu ali era estagiário, passaram posteriormente a requisitar os nossos serviços de advocacia, logicamente que amparados pela Lei 1060/50, o que para nós já era algo intrínseco. Embora a brincadeira, sempre levamos muito a sério o nosso compromisso social. Novamente recordo o Alexandre com uma de suas frases: “Nós devemos atender toda aquela pessoa que precisa efetivamente dos nossos serviços. Toda ação tem o seu valor, a qual devemos dar o nosso maior esforço, e ela não deve ser medida pelo valor da causa”.
Na distribuição do escritório, coube a primeira sala para mim e o Alexandre, visto o maior “movimento”, ficando as demais salas para as psicólogas. Mobiliamos inicialmente a sala com vistosos móveis emprestados. Dividíamos além da sala, uma potente máquina de escrever, manual, de cor verde, embora pequena, atendia a fúria de jovens advogados em início de carreira. A máquina foi gentilmente cedida pelo seu Adolfo, pai do Alexandre.
Tínhamos uma pequena pasta sanfonada para arquivar documentos relativos aos processos, cuja divisória permitira distribuir documentos de até 30 clientes. Certa vez, quando apreciávamos a referida pasta, lembro de falar para o Alexandre o quanto seria gratificante ver aquela pasta com os seus espaços preenchidos. Naquele momento, talvez não tivéssemos mais do que meia dúzia de processos.
O Alexandre quando iniciou o escritório pediu demissão na Prefeitura, trabalhando com dedicação exclusiva para o escritório. Eu, no entanto, continuei trabalhando na parte da tarde (das 12:00 as 18:00h) no Banco Itaú, como escriturário. De manhã ficava no escritório, à tarde ia para o Banco, e à noite retornava para o escritório. Em abril de 1988 pedi demissão junto ao Banco e passei a dedicar-me exclusivamente ao escritório. O Dr. Milton Gabino, nosso grande parceiro e amigo, ingressou no escritório no final do ano de 1988. Neste período, as nossas colegas psicólogas já tinham mudado para outro espaço. Tivemos também a participação de uma colega engenheira civil, a Maria Eugênia (hoje funcionária do BB, no Rio de Janeiro).
Muitos fatos são dignos de serem relembrados, no entanto, neste momento é a pequena parcela das minhas lembranças que fui capaz de registrar.







